sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Valorizar o professor

Editorial do Zero Hora, publicado em 15/10/2013.



         O Dia do Professor, lembrado hoje, suscita muitas reflexões em relação a essa atividade sem a qual não haveria educação de qualidade nem outros profissionais cuja formação exige um mínimo de frequência em sala de aula. Uma das indagações inevitáveis é por que, mais do que em outros países, os brasileiros consideram o professor apto a dar uma boa educação para os filhos, mas não o valorizam devidamente. A contradição é apontada por pesquisa realizada pela fundação internacional Varkey Gems em 21 países selecionados a partir dos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que deu origem a um ranking liderado pela China, no qual o Brasil aparece em 20º lugar, praticamente no fim da fila. Valorização, no caso, implica ganhos em níveis adequados, mas também o status de uma profissão da qual derivam todas as outras.
         Um dado inquestionável de que o magistério é pouco valorizado no país é o fato de apenas 20% dos entrevistados no levantamento admitirem a possibilidade de encorajar seus filhos a optarem por dar aula. Um percentual de 50% faria isso na China, país em que, não por acaso, a profissão é mais comparada à de médico. No Brasil _ assim como nos Estados Unidos, França e Turquia _, a população coloca o educador no mesmo patamar do bibliotecário. Ainda assim, 95% dos entrevistados em todos os países selecionados entendem que o educador deveria receber mais do que ganha. Salário maior, numa sociedade em que os profissionais costumam ser valorizados não apenas pela relevância da atividade exercida mas também pela remuneração, pode não significar o fim das injustiças nessa área, mas já seria o começo da reparação de deformações históricas. Ainda mais se levar em conta as reais aptidões e qualificações dos profissionais.
         No Brasil, desde o início do período republicano e até a década de 60 do século passado, aproximadamente, os professores, de maneira geral, desfrutavam de um status elevado na sociedade, que os encarava com particular respeito. Essa condição privilegiada começou a esmorecer a partir da massificação do ensino. O número de alunos cresceu substancialmente, enquanto as verbas destinadas à educação não se expandiram no mesmo ritmo. O resultado foi uma queda tanto no padrão de ensino quanto nos vencimentos de quem é peça-chave no processo de aprendizado.

         A deprimente situação dos educadores nos últimos anos, assim, está diretamente relacionada à desvalorização crescente dos profissionais de educação, decorrência direta dos baixos salários, das más condições de trabalho e de políticas equivocadas por parte dos governos e dos próprios sindicatos que representam a categoria. Neste Dia do Professor, a valorização dos mestres aparece claramente como uma das respostas mais urgentes que o país precisa dar para qualificar seu sistema de ensino.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Mensagem da Sociedade Brasileira de Química em Homenagem ao Dia dos Professores – 15 de Outubro de 2013


Parabéns Professor!
         A SBQ deseja a todos os nossos colegas professores um dia, antes de tudo, feliz e com muita paz, mas também cheio de realizações.
         É comum se ouvir em várias mídias que a nossa espécie evoluiu por compartilhamento do conhecimento. Daí surgiram os primeiros profissionais do ensino que criaram, passaram e repassaram ao longo de milênios os conhecimentos alcançados pela humanidade.
         Não há dúvidas de que o professor é um ícone da sociedade, em detrimento de ser tratado muitas vezes como profissional de segunda categoria, numa realidade onde governantes encaram a educação como despesa, e não como investimento.
         Não existe nenhum profissional na sociedade que não tenha sido formado e orientado por professores. Muitos destes, infelizmente, depois de graduados, esquecem o quanto seus mestres foram importantes para sua formação.
         Não queremos ser mestres queridos somente nessa data comemorativa, mas ter o respeito e reconhecimento da sociedade pelo importante trabalho que executamos em prol do desenvolvimento desse país. O reconhecimento significa também ter salários decentes, para que se possa ensinar com muita dedicação, ajudando toda nossa população com o nosso trabalho diário.
         Dedicamos aos amigos professores as sábias palavras de Rubem Alves, um grande professor:
"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".
         Um grande abraço, e um feliz dia dos professores!

Vitor F. Ferreira e Aldo J. G. Zarbin

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Novos professores com velhas metodologias


Artigo de Carlos Wagner Costa Araújo* para o Jornal da Ciência

         O Brasil assim como outros países, tem como prioridade desenvolver uma educação que promova a formação de um cidadão autônomo, capaz de tomar decisões e participar ativamente da sociedade. Temos atualmente mais de 200 espaços científicos culturais, conforme catálogo da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência. No entanto, a maioria se concentra nas regiões sul e sudeste, que não são suficientes para os mais de cinco mil municípios brasileiros. Cada município deve criar e abrir uma "Casa da Ciência", que pode ser um ambiente onde todos possam "Mexer em tudo". Já temos estas experiências como, a do Espaço Ciência Viva - ECV, que leva os visitantes à exploração dos módulos interativos, que fica na cidade do Rio de Janeiro, completando 30 anos, em 2013.
         As instituições, municípios e pessoas que queriam ousar, aproveitem pois encontra-se aberto um edital no CNPq, que tem por objetivo selecionar propostas para apoio financeiro a espaços científico-culturais, como centros e museus de Ciência e Tecnologia, planetários, jardins zoobotânicos e instituições similares voltadas à promoção de atividades de divulgação científica. A iniciativa demonstra que mais brasileiros terão a oportunidade de "Mexer em tudo", que de forma muito direta, já avisa o que o visitante precisa fazer e talvez o que professores e alunos possam fazer nas escolas. Os jovens que visitam os espaços científicos e culturais pelo Brasil, transitam por muitas formas de interação com os objetos, através de mediadores ou não.
         Os espaços não formais e as escolas precisam considerar as experiências que os alunos constroem nas esquinas, ruas, casas e quintais. Será que precisamos de instituições arbitrárias, autoritárias, impositivas e sem reflexão? Uma visita aos laboratórios das IFES, aos museus e centros de ciência de forma autoritária e sem interação, pode ser trágico e sem prazer educacional. Os educadores devem permitir que as cabeças sejam abertas a este mundo, sem repressão. Tais ambientes interativos não caminham em conjunto com organizações burocráticas, autoritárias e impositivas.
         Mudar! É preciso tempo, criatividade e ter vontade individual, coletiva e política. A liberdade é filha da teimosia e daqueles que acreditam que vale a pena lutar e brigar por um mundo melhor. O controle poda a liberdade. Será que a liberdade é uma ficção? A educação pressupõe compromisso coma transformação do olhar e a inversão na forma de ver o mundo. A ciência, as ideias e o que escrevemos não devem ser verdades absolutas. Questionem as verdades e a forma autoritária. Sejam livres como o vento. As experiências do contato com a realidade, a cultura, os interesses são formas de tentar entender o mundo através do método real que é o conhecimento.
         Então: "MEXAM EM TUDO", "É PROIBIDO NÃO TOCAR", "AQUI É PARA BULIR".

*Carlos Wagner Costa Araújo é presidente da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência e professor na Universidade Federal do Vale do São Francisco

Brasil é o penúltimo país em pesquisa sobre valorização de professor


Portal UOL, em São Paulo.

          Uma pesquisa divulgada no dia 03 de outubro de 2013 mostra que, entre 21 países, o Brasil fica em penúltimo lugar em relação ao respeito e à valorização dos seus professores. Para montar o Índice Global de Status de Professores, da Varkey GEMS, os estudiosos entrevistaram mil pessoas em cada um dos países.
          De acordo com o estudo, os professores têm o melhor status na China e o pior, em Israel. Em cada país, os pesquisadores analisaram se a profissão é muito procurada, qual é o status social dos professores e se os entrevistados acreditam que os alunos respeitam os docentes. Os dados foram reunidos em um índice e, em seguida, classificados.
          Os países pesquisados foram: Brasil, China, República Tcheca, Egito, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Israel, Itália, Japão, Países Baixos, Nova Zelândia, Portugal, Turquia, Cingapura, Coreia do Sul, Espanha, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.
          Os entrevistados responderam a perguntas sobre como o ensino se compara a outras profissões, se consideravam a remuneração dos professores justa, se encorajariam os seus filhos a se tornarem professores e o quanto achavam que os alunos respeitam os professores.
          Eles também foram questionados sobre atitudes em relação a professores de ensino fundamental, professores de ensino médio e diretores de escola, assim como a atitudes em relação ao sistema de ensino.
          Os estudiosos também questionaram sobre a remuneração e as condições de trabalho dos professores. Em 95% dos países, os pesquisados apoiam um salário maior para os professores em relação ao que ganham atualmente.
          A pesquisa mostra que, entre os entrevistados, os brasileiros foram os que mais disseram que os professores tiveram influência em suas vidas.
          Os brasileiros também disseram que apoiam salários mais altos para os professores e 88% acham que eles deveriam ser remunerados de acordo com o desempenho de seus alunos.
          A desvalorização desses profissionais fica clara quando os entrevistados são perguntados se gostariam que seus filhos fossem professores: apenas 20% responderam que sim. Por outro lado, 45% dos pesquisadores disseram que não encorajariam seus filhos a se tornarem docentes.
          Na China, que ficou em primeiro lugar no ranking, 50% dos pais encorajariam os seus filhos a serem professores, enquanto apenas 8% fariam o mesmo em Israel, último colocado entre os 21 países. Em geral, os países que mais respeitam os professores são aqueles que mais encorajam os seus filhos a terem essa profissão.
  
CONFIRA O RANKING
Posição
País
1
China
2
Grécia
3
Turquia
4
Coreia do Sul
5
Nova Zelândia
6
Egito
7
Cingapura
8
Holanda
9
Estados Unidos
10
Reino Unido
11
França
12
Espanha
13
Finlândia
14
Portugal
15
Suíça
16
Alemanha
17
Japão
18
Itália
19
República Tcheca
20
Brasil
21
Israel



domingo, 29 de setembro de 2013

III Ciclo de Seminários dos Pibidianos da Química – UVA

                             


                           11 de Outubro de 2013 (Sexta-feira)

1) Música em Aulas de Química: Uma Proposta para a Avaliação e a Problematização de Conceitos

Ana Célia Abreu Tomé (Pibidiana do 9º Período)

Horário: 18:30 às 19:00

2) Alfabetização científica: uma possibilidade para a inclusão social

Jéssica Freitas Carvalho (Pibidiana do 7º Período)

Horário: 19:00 às 19:30

Local: Sala 27 (Campus da CIDAO)

  Apoio

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Ensino através da pesquisa


Metodologia criada por norte-americana ajuda alunos de graduação e ensino médio a aprender como é o trabalho do cientista. Proposta foi premiada pela revista científica ‘Science’.

Por: Célio Yano (Especial para Ciência Hoje On-line/ PR


Estudante de graduação (à direita) trabalha com alunas de ensino médio em laboratório da Universidade da Flórida Central, nos Estados Unidos. Objetivo é comparar o resultado da análise de diferentes amostras de água. (foto: Erin Saitta)


         Há seis anos, quando a professora Erin Saitta era estudante de pós-graduação em química, foi convidada a participar de um programa da Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos no qual estudantes da educação infantil até o ensino médio conduziriam pesquisas reais em laboratórios. O propósito era fazer os alunos aprenderem na prática como a ciência é feita, em vez de tomarem conhecimento apenas por meio de livros e apostilas.

         Saitta aceitou a proposta e começou a trabalhar junto com professores de escolas públicas como orientadora dos estudantes em atividades de laboratório. Gostou tanto da ideia que, dois anos mais tarde, desenvolveu o projeto ‘Uma investigação sobre a água que nos cerca’, que acaba de ser reconhecido pela revista Science em uma premiação que destaca iniciativas inovadoras no ensino baseado na condução de pesquisas.

         O projeto permite que alunos de graduação e de nível médio façam análises da qualidade da água de suas próprias comunidades. A proposta é que pensem nos procedimentos que adotarão para chegar ao resultado, com orientação apenas em caso de necessidade.

         “Comecei aplicando a metodologia nas minhas aulas no curso de graduação em química na Universidade da Flórida Central [UCF] na primavera de 2010”, conta Saitta em entrevista à CH On-line. “No outono de 2010, o departamento de química da universidade me pediu que ensinasse o método para outros professores; assim, metade das aulas passou a se basear em pesquisas em laboratório.”

         No segundo semestre de 2012, todos os estudantes do curso já estavam envolvidos com experimentos orientados por pesquisadores. “Isso corresponde a algo em torno de 500 alunos por semestre em aulas com 24 estudantes por turma”, explica a professora, hoje diretora-assistente do Centro de Ensino e Aprendizagem da UCF.
 
 Engajamento social e divulgação científica

         O modelo de ensino criado por Saitta não se resume a ensinar os alunos a avaliar a qualidade de amostras de água. Há outros dois aspectos importantes: o engajamento social e a divulgação científica. Isso porque os estudantes de graduação da UCF repassam o que aprendem para alunos de ensino médio – até agora três escolas públicas foram beneficiadas.

Estudante de graduação (à direita) com aluna de ensino médio. Além de desenvolver pesquisa, eles aprendem a utilizar seu conhecimento em prol da sociedade. (foto: Erin Saitta)


         “Essa geração de graduandos tende a ter um ímpeto maior de contribuir com a sociedade”, diz Saitta. Além disso, por ter de falar sobre experimentos especializados para um público leigo, os estudantes de graduação aprendem que há linguagens diferentes para cada tipo de audiência.

         Embora ainda não se tenha um levantamento sobre os efeitos do método entre os alunos de ensino médio, a pesquisadora afirma haver evidências claras de que o impacto foi positivo. “Muitos deles nunca haviam entrado em um campus universitário antes e nenhum conhecia um laboratório de química por dentro.” Assim, ela acredita que, ao pensar na carreira que seguirão, os adolescentes já terão refletido sobre a experiência com ciência, saberão a relevância de se fazer pesquisa e estarão familiarizados com o método científico.

         A metodologia desenvolvida por Saitta está descrita detalhadamente em um ensaio publicado recentemente na Science. “Não é apenas uma discussão teórica sobre o método, mas principalmente um guia prático para sua implantação.” Ela sugere que professores interessados em adotar o ensino baseado em pesquisa obtenham mais informações em sites como o do Campus Compact e do Pogil.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Graduação em química, física, matemática e ciências biológicas tem queda em 2012



          Física, matemática e ciências biológicas tiveram queda no número de matrículas na graduação de 2011 para 2012, segundo dados do Censo da Educação Superior 2012. Química, matemática e ciências biológicas tiveram queda no número de concluintes. As quatro áreas são alvo do Programa Quero Ser Cientista, Quero Ser Professor,  lançado hoje (18) pelo Ministério da Educação (MEC).
          Além de apresentar queda, o número total de matrículas nesses cursos é inferior ao de outros cursos de ensino superior. Enquanto física era cursada por 30,9 mil estudantes, química por 53,1 mil, matemática por 85,5 mil e ciências biológicas por 123,3 mil, administração tinha 833 mil estudantes, direito, 737,3 mil e pedagogia, 603 mil.
          Entre os quatro cursos, o que apresentou a maior queda foi ciências biológicas, que passou de 126,9 mil para 123,3 mil, uma diminuição de 2,8% nas matrículas. A queda vem desde 2011, quando 128 mil faziam a graduação.
          A graduação em física vinha aumentando em número de matrículas desde 2009, quando tinha 29,4 mil estudantes. No ano passado a queda foi 2,5%. Matemática teve a menor queda, 0,7% de 2011 para 2012. Química foi a única das quatro graduações que teve um aumento, de 1,6%, no número de matrículas.
          O número daqueles que entram nos cursos é superior aos que se formam, considerando também o aumento de vagas. No ano passado, física tinha 11,8 mil calouros e 2,6 mil formados. O curso foi o único que apresentou um aumento no número de formados, de 1,75%. O curso de química recebeu 18,2 mil novas matrículas e formou 6,4 mil estudantes – o que representou uma queda de 1,4% no número de formados.
          Em matemática, 33,2 mil entraram no curso e 20 mil se formaram. O número de formados teve a maior queda entre os cursos, 14,5%. O número vem caindo desde 2009, quando 23,3 mil se formaram. Já ciências biológicas teve o maior número de calouros, 41,6 mil. O curso formou 20 mil estudantes, uma queda de 3,5% em relação a 2011.
          Com poucos universitários, o déficit de profissionais chega às salas de aulas do ensino básico. Segundo o MEC, faltam 170 mil docentes na rede pública nessas áreas.
          O censo mostrou também um baixo crescimento nas matrículas de licenciatura, que formam professores da educação básica, o aumento foi 0,8%, enquanto o aumento daqueles que fazem algum bacharelado foi 4,6% e cursos tecnológicos, 8,5%. Entre os cursos presenciais, as licenciaturas representam 19,5% do total de matrículas. Nos cursos de educação a distância, no entanto, representam 40,4% dos estudantes.
18/09/2013 - 22h29
Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil